segunda-feira, 19 de abril de 2010

BOLA DE GUDE






BOLA DE GUDE


Bola de gude era um dos poucos jogos que nos distraia. Eu era menino franzino,mas folgado. Hoje, acho que não tenho tanta coragem e, nem petulância, para fazer o que fiz. Vamos ao fato.

Ainda novato no colégio interno, percebi, que as turmas dividiam-se: Os mais fortes, ou mais adultos, adoravam aproveitarem-se dos mais novos.


Existia um garoto, que se chamava Paulo Souza, alto, magro, porém mais velho que os demais.

Certo dia, meu irmão Mailtom e seu amigo Márcio jogavam bola de gude. O triângulo estava cheio das esferas coloridas. Notei a presença de Paulo Souza. Notei também a sua intenção: Pegar todas as bolas de gude e acabar com o jogo, na marra. Todos tinham medo dele, afinal, era mais adulto, bem mais. Lembro-me que ele agachou-se e começou a catar as bolinhas. Ninguém dizia nada. Escutava-se alguns comentários: deixa ao menos algumas para que possamos brincar!

O grandão não estava nem aí : - Some daqui!

Paulo Souza vinha acompanhado com 3 ou 4 parceiros, cúmplices de sua maldade.


Não sei onde eu estava com a cabeça, até hoje não entendi a minha reação, só sei que não faria de novo. Sabem aquela frase: perdeu a noção do perigo! Pois é, foi o que ocorreu naquele momento.


Derrepente, sem mais, nem menos avancei prá cima do grandão. Minha cabeça bateu na barriga dele. Ele conseguiu segurar o meu pescoço e rolamos no chão. É claro que apanhei muito, mas o atrito serviu para que todos, inclusive outras crianças não envolvidas no embate, montassem no Paulo Souza e lhe dessem uma boa surra, inclusive Mailtom e Márcio.


A confusão foi tanta que os inspetores logo apareceram. Todos dispersaram-se, ficando, apenas os dois pivores da guerra, seguros pelas mãos do inspetor: Eu e Paulo Souza. Foi a primeira noite que passei em claro, no corredor do alojamento, ajoelhado no caroço de feijão.


No dia seguinte, no pátio, brincando, o inspetor Clóvis manda me chamar: - Rapaz, você perdeu o juízo, olha o tamanho Paulo Souza, é muita coragem! Daquele dia em diante, o inspetor Clóvis, em alusão a novela que fazia sucesso na época dizia que eu era o João Coragem. Muito legal essas lembranças, mas até hoje eu sinto as pancadas na cabeça!